Mais para ti, minha Luxúria, que queres
descobrir... que apenas estamos a começar.
Com todo o carinho do mundo.
APENAS
O JOGO #3

Calma,
amor, calma! Se continuas nessa dança frenética sou eu que expludo dentro de ti.
Obedeces, acalmas. Controlo-me melhor. Coloco os braços por baixo das tuas
axilas, seguro-te os ombros com firmeza. Elevas as ancas na avidez de me
possuires, como que a exigires que entre profundamente em ti. Cumpro o teu
desejo. Entro, tudo. Fico quieto, bem no fundo de ti. A minha língua enche-te a
boca, o meu membro preenche-te o corpo. Passamos uns momentos imóveis
retardando o que seria inevitável ao mais pequeno movimento. Depois, muito lentamente,
inicío suaves e lentos avanços e recuos. Quando avanço, devagar, terno, as tuas
ancas erguem-se ao meu encontro. Depois quando recuo, também devagar,
descontrais o corpo. Nunca saio tudo. Poucochinho, apenas o suficiente para
sentires os movimentos. Estás mais calma, controlas comigo. Entraste no jogo do
controlo. Lento, doce, voluptuoso.
Por vezes, quando sinto que não vou conseguir reter mais, páro, quieto, bem no
fundo de ti. Colaboras, sinto os teus espasmos que não consegues evitar mas
sim, colaboras, ficas quietinha. Portas-te bem, linda Luxúria! Depois
recomeçamos. Acelero um bocadinho e gemes. Retraio-me, retenho-me.
Agora altero a forma de te excitar. Passo a movimentar-me, mas sem ir ao fundo
de ti, apenas entro e saio ritmadamente na antecâmara do teu corpo, na passagem
estreita onde controlas melhor os músculos, onde consegues apertar mais. Contrais
os músculos como que tentando impedir a entrada e eu forço, voltas a contraí-los
como se me quisesses prender dentro de ti, e eu volto a forçar. É um jogo
delicioso, uma dança avassaladora e ritmada que conseguimos manter por algum
tempo.
Deixamos acelerar o ritmo e começas a tremer e a abanar a cabeça ao mesmo
ritmo.
Tento distrair-te sem alterar minimamente os movimentos. Encosto os lábios ao
teu ouvido e rouca, a minha voz tenta embalar-te “hey, my love, do you feel the breeze? Do you feel
the music? Do you hear the wind blowing around the trees? Go, my love, forget the
world, forget your body, forget yourself,
forget me, fly
with the melody”.
As minhas palavras surtem efeito. Deixas de tremer e a tua boca procura a
minha. A música é suave, envolvente num ritmo que se mantém lento mas que, por
vezes acelera. Tento acompanhar esse ritmo com o meu corpo, quero que entres
nele.
Agora, com as minhas mãos, prendo-te as tuas acima da cabeça.
Continuo ao ritmo da música e a tua respiração é menos ofegante.
Mas por pouco tempo. Os teus gemidos tornam-se mais intensos, sinto que te
aproximas vertiginosamente do orgasmo. Já andas lá muito perto. Continuo
sereno, a controlar-me e não páro. Quero-te ainda mais perto. Quero-te no
limiar, quero-te no quase quase quase, num quase que se confunde com um
frenético “estou-me a vir” que começas a balbuciar. Domino-te, minha Luxúria,
meu amor. A música ganha ritmo e, com ela, eu. Mas controlo a situação e
mantenho o domínio sobre ti. Já não me calo, apenas procuro as palavras que te
distraem. No meu ritmo consigo controlar-me. Agora já vou conseguir por muito
mais tempo. E continuo. O teu corpo, numa tontura alucinante, descreve círculos
em torno dum orgasmo que se instalou e se mantém, é um orgasmo “steady state”.
Estás a vir-te e vou prolongando essa tua sensação. Procuro conseguir que te
continues a vir assim por muito tempo. Sempre num único orgasmo, num mesmo
orgasmo.
Só tenho que me mover dentro de ti, ora baixando o ritmo, ora aumentando-o
quando o teu frenesim se torna mais violento.
Mas quando o ritmo diminui pareces repousar um pouco. Gemes mais baixinho.
Aumento de novo, gritas “venho-me! rebento! pára!”, respondo, “espera, vá, mais
um bocadinho”. Tenho as tuas unhas cravadas nas minhas costas, enquanto o teu
frenesim continua. Digo-te “linda menina!”, mas também eu sinto que estou no
limite, que vou perder toda a serenidade.
Entro e saio mais três ou quatro vezes e páro bem no fundo de ti. Sinto que ao
mínimo movimento jorrarei dentro de ti e digo-te “agora quietinha, muito
quietinha”.
Deixo-me ficar assim por uns instantes e depois começo a sair de ti muito
devagarinho, porque apenas o roçar pelo teu interior aveludado, húmido e quente
me aproxima vertiginosamente dum rebentar infinito, descontrolado.
Aguentei. Já estou fora de ti. Deixo as tuas mãos livres e rouco digo-te de
novo “linda menina”.
Os teus dedos entrelaçam-se nos meus cabelos, as tuas mãos agarram-me a cabeça
e empurram-na para entre as tuas coxas. És louca, insaciável. Sei o que queres,
meu amor, minha Luxúria. Obedeço, acaricio de novo o teu clitóris com a minha
língua enquanto te ergo as nádegas com as mãos.
O ritmo é de novo lento. Prolongar, prolongar, prolongar.
Páro. Queres jogar? Vamos a isso!
Viro-te de barriga para baixo. Agora a minha língua percorre as tuas nádegas,
intromete-se entre elas, entra, inicia um vai e vem lascivo como se fosse o meu
membro. Gemes de prazer.
Tens os braços estendidos ao longo do corpo e, no momento em que ergues o
traseiro ao encontro da voluptuosidade da minha língua, pego-te nas mãos e
convido-te a masturbares-te aproximando-as do espaço encharcado entre as tuas
coxas.
“Vá, devagarinho minha Luxúria,
devagarinho”. Danças de novo. Tremes, gemes. Apercebo-me de que te vais perder
de novo. Não deixo. Seguro-te os braços, afasto-os do teu corpo, a minha língua
continua a movimentar-se.
Ergues mais e mais as tuas ancas, de tal modo que já “estás a quatro” como
dizia o Jorge Amado na “Tieta do Agreste”.
Sim, meu amor, sei o que queres, mas ainda não.
Aproveito a tua posição, rodo o meu corpo cento e oitenta graus e intrometo-me
debaixo de ti. Agora a minha boca ocupa-se de novo do teu clitóris e a tua boca
começa acariciar-me o membro duro. Entra e sai na tua boca, a tua língua
afaga-o em movimentos para cima e para baixo enquanto a minha língua te
acaricia e as minhas mãos te apertam as nádegas.
Volto a repetir “devagar, Luxúria, vá, estamos a começar, é para durar,
prolongar”. O teu ritmo torna-se mais lento como o meu.
Mesmo debaixo de ti quero dominar-te, controlar-te controlando-me.
Mas estou exausto, relaxo. Deixo cair a cabeça e sais de cima de mim.
Estás agora ajoelhada. Pronto. Entendo, queres inverter os papeis, ser tu a
dominar, a controlar. Vou deixar. Fico quieto.
As tuas mãos
acariciam-me o membro. Agora pareces ser tu que estás serena, controlada, a
controlar a situação. Um cheiro intenso à nossa volúpia invade o espaço em que
nos encontramos.
Fico
deitado de costas, acendes um cigarro que me pões nos lábios. Pareces muito
atenta e compenetrada. Tiras a venda dos teus olhos e vendas-me os meus. Falas-me
baixinho, começas a contar-me um conto de duendes e fadas. Sinto que queres
controlar detectando todos os indício pelo que observas do meu comportamento. Sinto
que, enquanto continuas docemente a tua narração e me vais, docemente,
acariciando o membro encharcado de ti, te esforças por perceber quando me estou
quase a vir e, quando o percebes, quando descobres que está mesmo quase, páras,
apertas com força e ficas muito muito muito quietinha. Apertas como se
quisesses "fechar a torneira" e não deixar sair absolutamente nada.
Quietinha. Só deixas de apertar, e muito lentamente senão "rebento",
quando sentes que voltei a relaxar e a descontrair.
Depois as
tuas mãos continuam as carícias que quase me enlouquecem. Não deixas de
continuar a tua história “havia um príncipe...”. Páras, apertas de novo, sentes
que acalmo um bocadinho, que relaxo e recomeças. Recomeças devagar, suavemente,
e tornas-te mais frenética à medida que o tempo passa.
Fazes tão
bem. És tão sábia. Com o meu membro no estado de tesão em que mo puseste não
brincas para cima e para baixo, ritmadamente, como os putos quando se
masturbam. Fazes tropelias sem ritmos repetitivos. Tropelias avassaladoras,
deliciosas. És uma dádiva, minha Luxúria.
Sinto-te
sorrir. Dizes num tom gaiato e maroto “vá, tem calma, ainda agora começámos”. E
estás muito atenta porque sabes que vou subir de novo e que chegará um momento
que terás que saber detectar, em que me estarei quase a vir de novo.
Sinto que
não dá mais, que o momento chegou, que vou explodir! Mas tu sussurras “calma,
amor” e voltas a parar e a apertar com força e a tentar perceber quando podes
recomeçar... e prolongas, prolongas, prolongas uma tortura delirante quase
insuportável para mim. Tremo, gemo, quase grito, chamo-te “Luxúria, amor” até
que sentes de novo que chegou o tal momento em que "rebentarias"
comigo se não parasses. Páras, não deixas que me venha. Repetes “calma, amor,
estamos a começar”.
