THIS IS MY INTIMATE SPACE!!!

"Em cada um de nós há um segredo, uma paisagem interior com planícies invioláveis, vales de silêncio e paraísos secretos"
Antoine de Saint-Exupéry

quinta-feira, 6 de junho de 2013

DOUCEMENT...



Calor, Verão. Nua. Deitada.
Pareces dormir.
Contemplo-te as costas, as nádegas expostas, as pernas entre-abertas, os cabelos em desalinho.
As manchas de mim, vertidas de ti, já quase secas no lençol amarrotado.
Foi de madrugada, agora amanhece.
Vasculho-te cada milímetro com o olhar tentado.
Apeteces-me de novo. Aliás, apeteces-me sempre.
Quero tocar-te. Leve, suave.
Hesito... Apeteces-me tanto.
Não resisto.
Toco-te a medo. Passo pelos teus pés, tacteio as tuas pernas.
As pontas dos meus dedos, quais patas de aranha, sobem o interior das tuas coxas. Lentas.
Afastas mais as coxas. Dormirás?
A minha mão direita atreve-se mais e passeia entre elas.
Entre elas acaricio ao de leve a doce linha que as separa.
Soltas um leve gemido. Dormirás ainda?
Detecto-te um quase imperceptível bambolear de ancas.
Continuo o meu percurso. Corro as tuas costas, volto a descer.
Gemes, talvez um pouquinho mais alto.
Bamboleias de novo, ergues um pouquinho mais as nádegas exibindo melhor o espaço entre elas.
Dobro-me, percorro-o num beijo húmido, num tactear de língua.
Um tactear que se torna mais profundo com mais um gemido teu e mais um erguer de ancas que parece pedir mais. Dormirás ainda?
Ergues-te mais, agora apoiada nos joelhos.
Suave. Voluptuoso, continuo. Continuo mais e tremes, bamboleias, um mais evidente gemido.
Agora sei, sinto que estás consciente dos meus afagos, da minha língua que entra e sai de ti, docemente.
Abraço-te a cintura e continuo o jogo.
Gemes. Tem calma.
Agarro-te os seios por trás e aperto-os docemente.
Brinco com os mamilos enquanto a minha língua se torna mais incisiva no jogo de vai-e-vem.
Aproximo a mão esquerda da tua boca e, um a um, dou-te os meus dedos a chupar.
Gemes. Tremes.
Tem calma, meu amor.
Ergo-me sobre os joelhos por trás de ti, seguro-te a cintura, encosto-me despudoradamente às tuas nádegas.
Brinco roçando por entre as tuas pernas.
Desejas, sei que desejas, deixar-te-ei pelo desejo.
Viro-te para mim. Os teus olhos abertos reflectem os meus.
Levanto-te, ponho-te em pé. Ponho-me em pé à tua frente.
Abraço-te. Beijo-te.
O Sol nasce lá fora.
Levo-te pela mão à banheira. Abro a torneira. A água tépida corre sobre os nossos corpos enquanto o nível da água vai subindo.
Num gesto meigo deito-te dentro da água morna que já cobre o teu corpo.
Olhas-me, afastas as coxas, expões-te, exibes o teu doce sorriso gaiato.
Faço incidir o jacto do chuveiro entre as tuas coxas, concentrado onde o queres. Progressivamente inicias uma dança que cada vez se torna mais frenética.
Os teus sussurros fortes enchem todo o espaço, abafam toda a música que toca no quarto.
Afasto o chuveiro no momento que sinto anteceder a tua explosão.
Agora brinco contigo. Sinto-te perdida, mas não te deixo ainda explodir.
Fecho a torneira, abraço o teu corpo tremente num longo beijo.
Saimos do duche.
Seco-te.
Continuas perdida.
Emites sussurros sem nexo.
Acalmas um bocadinho e olhas-me com um ar intrigado.
Volto a estender-te na cama desalinhada, concentro o meu peso entre as tuas coxas.
– Toma-me, possui-me – sussurro-te.
A nossa dança de lenta e suave, progressivamente torna-se frenética.
Todo o teu corpo se transforma num espasmo, numa convulsão.
Contenho-me, prolongo, prolongo até à tua insuportabilidade, até à minha insuportabilidade.
A insuportabilidade transforma-se num vulcão que te inunda de lava quente, que sinto jorrar de mim para ti e escorrer de ti para os lençóis.
Lentamente a calma vai regressando aos corpos que tremem ainda.
Por entre as tremuras dos corpos estenuados as línguas ávidas misturam-se encharcadas de volúpia.
Até já.

Cum to Me

quarta-feira, 5 de junho de 2013

DESENCONTROS, DESENGANOS,


 
 
Fixam os olhares, dilatam as pupilas, sorriem.
Interpretam...

sinal de empatia?

Sinal de disponibilidade?

Desabrocha uma história de amor?

Quem sabe?

Difícil interpretar sinais, ainda mais se são subtis.

Falarão a mesma língua?

“Queres foder”, poderá pensar um...

“Queres amar”, poderá interpretar o outro.


Há o avanço inevitável, incontrolável.

Porquê?

Foder ou amar são incontroláveis e a subtilidade dos sinais não difere muito.


Há o beijo, há as línguas que se enovelam,

há as carícias que percorrem corpos,

os dedos que acariciam o clitóris,

a mão que afaga o pénis.


De ambos há tesão, incontrolável tesão.


Tesão de foder?

Tesão de amar?


Quem distingue?


O pénis é pedra,

a vagina um rio de lava.


Os sussurros gemidos, os gemidos gritos, os gritos orgasmos.


Pelo meio gasta-se a palavra “amo-te”!

Amo-te porquê?

Amo-te porque te fodo!

Amo-te porque te amo!


Os sinais são os mesmos, as palavras as mesmas...

Agora o que cada um sente, apenas cada um sabe!


Depois um diz vou...

O outro diz fica!


Um diz amei-te...

O outro diz amo-te!


Uma teia de incompreensões, de mal entendidos, de enganos, desenganos, encontros, desencontros.


Uma teia de aranha.


Ele esteve dentro dela, jorrou o seu sémen quente que a enebriou.

Num esgar, num movimento brusco, parte o pénis que deixa dentro dela.

 “Para que mais ninguém te foda!”

 “Para que todos saibam que és minha!”


Fica uma espécie de rolha que a prende indefinidamente a ele.


Ele parte... não interessa para onde, interessa que parte.


Ela fica “agarrada”... não deixa de sentir aquele pénis que a enche,

que não permite que outros pénis a penetrem.

Porquê?

Porque ela amou, porque ele fodeu.


Mas da ferida do pénis quebrado ele vai desfazer-se em linfa e morrer.

Mas é, no coração dela, uma morte adiada.

Porque o pénis está lá, porque a memória está lá,

porque pénis e memória insistem na permanência do amor.


Ela demorará tempo a devorá-lo e na volúpia da devoração será dominada pela memória do amor infinito, inquestionável.

Devora-o até que nada sobra, até que a propria memória se desvanece.


Então, abandona a teia... já pode.

A aranha metamorfoseia-se... de viúva negra reconfigura-se em Carochinha orgulhosa das suas sete pintinhas negras

que lhe ornamentam o vestido vermelho.

Mas... então, eis outro que surge.

Fixa olhares, dilata pupilas, sorri.

Então ela pergunta:

“quem és tu?”

“eu sou o João Ratão, da família dos ratinhos que nunca chegam a ratazanas”

“e o que queres de mim?”

“amar-te, linda Carochinha, amar-te!”

“e foder-me?”

“se quiseres, linda Carochinha, porque foder-te será amar-te, qual a diferença?”

“diz lá, João Ratão”

“venerarei o teu corpo como a tua alma, vir-te-às para mim, uma dádiva, como eu para ti, uma dádiva”

“e será para toda a vida?”

“amar-te-ei para toda a vida e foder-te será amar-te como amar-te será foder-te!”


Desabrocha uma história de amor!

Fácil interpretar sinais, mesmo se são subtis.

Falam a mesma língua.

“quero foder, porque te amo...”

“enquanto me fodes, amas-me?”

“enquanto te acarinho, te olho, te acaricio, te beijo, te sinto, AMO-TE!”

“então, João Ratão, entrego-me a ti porque me amas, porque te amo, porque nos amamos!”


Há o beijo, há as línguas que se enovelam,

Há as carícias que percorrem corpos,

os dedos que acariciam o clitóris,

a mão que afaga o pénis.


De ambos há tesão, incontrolável tesão.


Tesão de amar!


O pénis é pedra,

A vagina um rio de lava.


Os sussurros gemidos, os gemidos gritos, os gritos orgasmos.


É Primavera!!!



Cum to Me


segunda-feira, 3 de junho de 2013

PER TE,

 
Suavemente,
Paulatina mas firmemente,

Intrometeste-te nos meus dias, nas minhas noites,

Construiste um delito, o meu delito,

Pecado, meu, teu, diário.


Nas tuas palavras

eu já não sou eu.
Nas tuas palavras

eu já sou tudo.
Nas tuas palavras

desfaço-me e refaço-me,
ao teu jeito.


Nos teus sonhos,
cúmplices,

eu já somos nós.


Nos teus olhos

eu já sou tu.
Nos teus olhos

desfaço-me e refaço-me,
ao teu jeito.


Nas tuas mãos
eu já sou o mundo.
Nas tuas mãos

desfaço-me e refaço-me,
Ao teu jeito.


No teu corpo

eu já sou nós.
No teu corpo

desfaço-me e refaço-me,
Ao teu jeito.


Nos nossos desejos

Nós já não somos nós.
Nos nossos desejos

desfazemo-nos e refazemo-nos,
Ao nosso jeito.


Na tua emoção

eu já sou tudo:
Perdições, Reencontros, Desencontros,

Lágrimas, Risos, Sussurros, Gemidos,

Caminho, Atalho, Vulcão,

Fruto, Ventre,

Dedos, Mãos, Seios, Pernas, Nádegas,

Palpitações, Espasmos, Contrações,

Prazer, Calor, Êxtase, Avassalador,

Suores, Odores,

Volúpia, Luxúria, Amor... Amore!

Na tua emoção,

desfaço-me e refaço-te,

ao nosso jeito.

 
SABES?
Havia uma feiticeira com olhos como os teus,
Princesa, como os teus.

Pela manhã, depois de chover,
passeava pela floresta e ouvia os pássaros cantar na laranjeira,
o que a encantava.
Eu estava lá mas ela nunca me via.
Porquê, Pecado? Porquê?

Na terra húmida a feiticeira desenhava círculos
e estrelas
como os que tu desenhas nos meus sonhos, Delito, Pecado.

Olha,
havia uma feiticeira com uns cabelos como os teus,
sim, como os teus, Pecado, Delito, Amor, Amore.

Pela tardinha cantava harmonias silenciosas
que embalavam o meu navio.

Ela sabia,
e depois sorria,
como tu, Pecado, Delito, Amor, Amore.
Estendia os braços
e envolvia-me nas suas palavras.
Sim, também como tu, Pecado, Delito, Amor, Amore.

Quando a noite caía
ela aproximava-se do cais onde o meu navio costumava atracar,
e ficava a olhar encostada ao paredão.
A feiticeira vestia de negro.
Como tu, Pecado, como tu.
E dos olhos negros da feiticeira caiam lágrimas,
como as tuas,
Pecado, como as tuas.

A feiticeira olhava o mar,
a espuma,
enquanto as gaivotas esvoaçavam à sua volta.

Do alto-mar eu estendia-lhe os meus braços,
cúmplice,
e ela acariciava-me nas suas palavras
e sorria, como tu, Pecado, como tu.

Pela noite o navio chegava ao cais e eu dizia-lhe:
sobe o teu vestido, dá-me a tua mão,
encosta-te ao paredão,
e ela era eu e eu era ela e nós eramos nós
e nem ela nem eu eramos outros.
Pilares de pontes trementes, gemidos sussurrados na escuridão,
Tesão!
Na espuma das ondas
Desfaziamo-nos e refaziamo-nos,
ao nosso jeito.


Bacio per Te
Cum to Me