Interpretam...
sinal de empatia?
Sinal de disponibilidade?
Desabrocha uma história de amor?
Quem sabe?
Difícil interpretar sinais, ainda mais se são subtis.
Falarão a mesma língua?
“Queres foder”, poderá pensar um...
“Queres amar”, poderá interpretar o outro.
Há o avanço inevitável, incontrolável.
Porquê?
Foder ou amar são incontroláveis e a subtilidade dos sinais não difere muito.
Há o beijo, há as línguas que se enovelam,
há as carícias que percorrem corpos,
os dedos que acariciam o clitóris,
a mão que afaga o pénis.
De ambos há tesão, incontrolável tesão.
Tesão de foder?
Tesão de amar?
Quem distingue?
O pénis é pedra,
a vagina um rio de lava.
Os sussurros gemidos, os gemidos gritos, os gritos orgasmos.
Pelo meio gasta-se a palavra “amo-te”!
Amo-te porquê?
Amo-te porque te fodo!
Amo-te porque te amo!
Os sinais são os mesmos, as palavras as mesmas...
Agora o que cada um sente, apenas cada um sabe!
Depois um diz vou...
O outro diz fica!
Um diz amei-te...
O outro diz amo-te!
Uma teia de incompreensões, de mal entendidos, de enganos, desenganos, encontros, desencontros.
Uma teia de aranha.
Ele esteve dentro dela, jorrou o seu sémen quente que a enebriou.
Num esgar, num movimento brusco, parte o pénis que deixa dentro dela.
“Para que mais ninguém te foda!”
“Para que todos saibam que és minha!”
Fica uma espécie de rolha que a prende indefinidamente a ele.
Ele parte... não interessa para onde, interessa que parte.
Ela fica “agarrada”... não deixa de sentir aquele pénis que a enche,
que não permite que outros pénis a penetrem.
Porquê?
Porque ela amou, porque ele fodeu.
Mas da ferida do pénis quebrado ele vai desfazer-se em linfa e morrer.
Mas é, no coração dela, uma morte adiada.
Porque o pénis está lá, porque a memória está lá,
porque pénis e memória insistem na permanência do amor.
Ela demorará tempo a devorá-lo e na volúpia da devoração será dominada pela memória do amor infinito, inquestionável.
Devora-o até que nada sobra, até que a propria memória se desvanece.
Então, abandona a teia... já pode.
A aranha metamorfoseia-se... de viúva negra reconfigura-se em Carochinha orgulhosa das suas sete pintinhas negras
que lhe ornamentam o vestido vermelho.
Mas... então, eis outro que surge.
Fixa olhares, dilata pupilas, sorri.
Então ela pergunta:
“quem és tu?”
“eu sou o João Ratão, da família dos ratinhos que nunca chegam a ratazanas”
“e o que queres de mim?”
“amar-te, linda Carochinha, amar-te!”
“e foder-me?”
“se quiseres, linda Carochinha, porque foder-te será amar-te, qual a diferença?”
“diz lá, João Ratão”
“venerarei o teu corpo como a tua alma, vir-te-às para mim, uma dádiva, como eu para ti, uma dádiva”
“e será para toda a vida?”
“amar-te-ei para toda a vida e foder-te será amar-te como amar-te será foder-te!”
Desabrocha uma história de amor!
Fácil interpretar sinais, mesmo se são subtis.
Falam a mesma língua.
“quero foder, porque te amo...”
“enquanto me fodes, amas-me?”
“enquanto te acarinho, te olho, te acaricio, te beijo, te sinto, AMO-TE!”
“então, João Ratão, entrego-me a ti porque me amas, porque te amo, porque nos amamos!”
Há o beijo, há as línguas que se enovelam,
Há as carícias que percorrem corpos,
os dedos que acariciam o clitóris,
a mão que afaga o pénis.
De ambos há tesão, incontrolável tesão.
Tesão de amar!
O pénis é pedra,
A vagina um rio de lava.
Os sussurros gemidos, os gemidos gritos, os gritos orgasmos.
É Primavera!!!
Cum to Me


5 comentários:
bem verdade!
gastam-se os "amo-te" à procura de certezas que não existem. e tudo o que é preciso é deixar as histórias acontecer - há sempre uma primavera algures...
gosto! muito :)
beijinhos, Cum to Me ;)
E até os bichinhos gostam, certo? :P
Beijo d'(Ela)
B,
Let me go, send me flowers
And put me on a plane
I've paid before
So I've been told
at least I'm alive
Cum
(Ela)
If they have mirror neurons...
Luv U
Cum...
Tão simples, mas tão verdade! Bela conclusão.
Recanto interessante ;)
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