Normalmente sou desorientado
mas, afinal, ao contrário do que imaginei, não precisei de GPS para navegar pelos
teus lábios, nem sequer para encontrar a doçura da tua língua.
O problema é que dificilmente sou
capaz de explicar.Posso tentar, posso dizer que o teu beijo é um navio de velas brancas que parte do tejo. Sim, fechei os olhos e foi isso que vi.
Então senti os teus olhos e mergulhei numa ilusão caleidoscópica de sensações, havia árvores, não me apercebi se eram laranjeiras, se enormes carvalhos. Desta vez não roubei. Chamei-te ou chamaste-me. Soubeste responder docemente, e vi flores amarelas e verdes. Também viste?
Elevavam-se sobre a tua cabeça. Desci (ou subi, já nem sei) o rio e havia uma ponte e uma fonte, o doce mordiscar dos teus dentes nos meus lábios e o doce deambular da tua língua na minha boca.
Senti a linha da tua anca, a minha linha da sorte.
Encontrei o Sol nos teus olhos.
E rebentou um vulcão. Um combóio atravessou o deserto.
Parámos num bar e flutuámos nas nuvens.
Voltei a ver os teus olhos de caleidoscópio.
Agora passeio a língua pelos teus lábios, entreabres a boca húmida da minha língua e do teu sabor.
Os teus olhos espreitam-me no mais doce do meu sossego.
Tocam-me as mãos suaves como as penas das gaivotas que se deixam beijar pelo Sol de fim de tarde!
Como se fosse madrugada, as ondas rebentam a toda a volta e desfazem-se em espuma.
Como se fosse madrugada, Os ventos deliram. Gritam as gaivotas por toda a ilha enquanto tu murmuras.
Como se fosse madrugada, o orvalho cobre as ervas escuras, os corpos perdem-se na bruma, porventura no cansaço!
Como se fosse madrugada, leve suave tranquila serena.
Como se a noite se fosse passo a passo.
Quis que da minha boca gotejassem palavras nos teus ouvidos, que dos meus dedos gotejassem carícias no teu corpo.
Dos meus lábios gotejaram beijos nos teus lábios.
Quis que do meu corpo gotejasse suor na tua pele, que dos nossos corpos gotejassem gemidos no universo.
O que quero agora?
Não, não há muito para dizer...
Bom, o teu corpo de mulher e a tua alma de menina!
Estar em qualquer lugar desde que seja contigo.
Estar contigo e devorar esta maldita distância.
Ouvir a tua voz, ver o teu sorriso.
Fundir-me no teu olhar, enredar-me nos teus cabelos e beber todo o teu ser.
Seja onde fôr desde que sejas tu o meu amor, o meu delito, o meu pecado.
Ter a tua presença e a tua essência.
Esperar por ti numa esquina do tempo, ouvir a tua voz, ter o teu sorriso e segredar-te, sou eu!
Depois dizer-te: Fiquei aqui à tua espera e o tempo não passou.
E prometer-te: O tempo não passará.
E constatar que deixámos de ser uma impossibilidade.
Vês, não é muito!
Soletrar a tua presença e decifrar a tua essência.
Mas olha, também queria que o tempo não fosse tempo, mas que o Sol fosse sempre Sol, que o Mar fosse sempre Mar e que o Tejo fosse sempre Tejo!
Sim, e ainda que os campos fossem azuis...
Tactear-te póro a póro, passo a passo, espreitar-te através da bruma, segredar-te: o tempo perde-se no infinito, o barco vai zarpar.
ficas no cais?
Ou vens navegar?
Vem, dá-me a tua mão, mostra-me as estradas, dá-me agasalhos.
Depois garantir-te que o barulho não é nada.
Sabes, afinal é só o Sol que se esconde atrás da Lua e isso não é nada.
Olha, o barulho afinal não é nada, foi apenas uma gota de orvalho que sorriu para ti.
Poderia surpreender-te, mas não foi nada. Foi só o teu sorriso que se escondeu atrás do Sol.
Deixa lá, já viste a madrugada?
Eu vi-te lá, sorriste e disseste: Afinal o barulho não foi nada.
E riste. Foi isto. Foi sentir os teus lábios, a intromissão da tua língua, o teu beijo.
Serei o que quiseres, serás o que eu quiser... foi o pacto desse beijo sem GPS.


4 comentários:
Não haverá nunca distância que separe um Amor assim.
O GPSex conduzir-vos-à sempre no caminho um do outro.
Um dia, quando for grande, também queria um Amor assim.
Beijoooos *Estrela*dos*
Cá estou eu para retribuir o teu beijinho
Gira,
Re-retribuo.
Às vezes (muitas) também preciso!
Beijo beijo beijo
Cum to Me
Estrela,
Gosto da atenção com que segues!
Obrigado.
Beijo em ti!
Cum to Me
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