THIS IS MY INTIMATE SPACE!!!

"Em cada um de nós há um segredo, uma paisagem interior com planícies invioláveis, vales de silêncio e paraísos secretos"
Antoine de Saint-Exupéry

segunda-feira, 6 de maio de 2013

REFLEXÕES...
 
 
Na solidão desta infinita floresta densa onde procuro indícios de mim próprio e os meus próprios cacos para me reconstruir, passo muito tempo a reflectir sobre mim, sobre ti, sobre nós e sou capaz de desenhar o nosso próprio perfil, vislumbrar aquilo que podemos querer e não querer da vida.
Levanto as folhas caídas no Inverno e vislumbro desejos de admiração profunda-recíproca-mútua, amor incondicional. Afectos, carinhos, ternuras, compreensões.
Em reflexão compulsiva surges-me sonho-mulher diferente de todas as que já comigo percorreram caminhos da vida, que me possuiram e que eu possuí, todas tão iguais, todas tão diferentes.
Olho-as sequencialmente dispostas na parede de uma galeria de arte, da esquerda para a direita ou do passado para o presente e cada uma é diferente das outras e, à medida que percorro a linha do tempo, constato que cada uma é uma espécie de soma das anteriores. É como se a mulher amada num determinado momento fosse um somatório das amadas no passado. Tudo acontece como se a minha reacção a um conjunto de estímulos físicos e comportamentais, heterogéneos porque diferentes, como se esses estímulos tivessem um efeito aditivo potenciador de uma reacção minha qualitativamente nova e quantitativamente superior.
Cada amor acrescenta assim qualquer coisa ao anterior, cada amor é avassaladoramente maior. Cada amor é uma reconstrução dos anteriores num conjunto mais rico e estimulante dos amores passados que se foram somando com o tempo e que tu concentras no teu ser divinamente luxuriante. Tu és tu, nova, acrescida da soma do que de avassalador fui encontrando nos caminhos que trilhei. Mas, tendo trilhado muitos há um dia em que os caminhos se fizeram auto-estradas e tu-nova-soma és agora o fim, perfeição anunciada e esperada ao longo de caminhos, atalhos, ruas e vielas e muitas e muitas estradas. Encontrei finalmente tu-nova-soma-perfeição e o resto do percurso poderia ser contigo, minha utopia... até que a morte nos separe.
Então agora configuro-te amiga, amante, confidente, a cúmplice de tudo o que eu fizer, bem ou mal, tu, condescendente, amante apaixonada. No teu corpo procuro o Sol e no teu coração a Lua, no teu amor o mágico fascínio e o cheiro das manhãs, que o teu silêncio me obrigue a sonhar. De dia, uma menina, à noite uma mulher na recriação diária de um sentido de romance, cúmplice, sempre cúmplice, doce pecado.
Um compromisso total. Fidelidade, confiança, relação exclusiva, desejo louco, mútuo, profundo. Acarinhar-te, surpreender-te, dar-te a mão, afagar-te o cabelo e beijar-te.
Ter planos conjuntos, partilhar, tomar conta de ti como tu de mim, ser a coisa mais importante no teu mundo, tu no meu, ser o único homem na tua vida, tu a única mulher na minha. Simetria, reflexo, simetria-reflexo. Tu, o centro do meu universo.
Amor louco na solidão da floresta que se embebeda pela linguagem impenetrável das aves que, dentro de mim, não deixam de gritar o teu nome numa paixão que é uma doença socialmente aceite, num amor-convulsivo, numa forma exacerbada de amor que mobiliza todos os sentidos para um fim único, transcendente, eroticofrénico, compulsivo.
Porque o amor-convulsivo terá que ser erótico-velado, explodente-fixo, mágico-circunstancial, ou então não será amor. Não sendo amor nem sequer se aproximará da paixão. Paixão, salto qualitativo, giant leap da mente, do corpo, do ser, da posse total, inquestionável.
“Vem-te!” não é uma ordem imperativa nem um pedido-imploração, nem sequer uma sugestão ou uma palavra. “Vem-te!” é um epifenómeno, é a tua convulsão perdida, é o teu grito explosivo. “Vem-te!” é consequência, não da estimulação físico-frenética da tua doce e macia entrada sumarento-palpitante de desejo, mas dum simples e quádrupulo potencial de acção que resulta do enlouquecimento do teu desejo por um amor verdadeiro franquando sinapses, possessivo-possuidor, exclusivo, galopante.
Tu és uma infinita fonte criadora de desejo, desejo-tesão avassalador-avassaladora. Desejo-tesão consubstanciado num ventre que obrigatoriamente cresce até ao espasmo em que a paixão expulsa de dentro de ti, para nós e para o mundo, um novo ser que se torna livre para voar, ser que és tu e eu, consubstância criada desse amor-tesão-paixão concretizado, dupla-hélice reconfigurada, recombinação rodopiante, crossing-over CTCCTAGGACTAAAGTCA de tu/eu, paixão rematerializada, nós.
No meu percurso embrenhado no carvalhal atrás destes montes, percurso solitário no caminho-não-atalho perdido ao sair da sensatez, o caminho que entre prados se insinua, rodeando-te de bálsamos, tu, a mulher ainda desconhecida, a mulher que um dia haveria de me aparecer num olhar de sabes-que-não-sabes-quanto-te-amo.
O meu amor convulsivo avoluma-se/acumula-se desde o primeiro dia em que soube de ti, amor-tesão-paixão-desejo de concretização nessa aveludada e húmida abertura que nos meus lábios jorra quentes ritmadas desvairadas golfadas de néctar orgástico num teu grito circunstancial que se perde nesta floresta renascida no universo onírico de me vir para ti, em ti, ao mínimo sinal da tua perdição-tesão desfazendo-me em golfadas de esperma, mas esperma consequente que te inunda o útero espasmódico, rompe barreiras ao encontro da concretização do teu próprio sonho reprodutivo que se consubstanciou no meu universo onírico, contigo também reprodutivo, conferindo significado ao significado da vida criadora que criamos e recriamos orgasmo a orgasmo. I wish to know the meaning of life!
Eroticofrenénico, inclemente, na procura da erupção de um vulcão que parte de uma fonte hidrotermal do mais profundo dos oceanos, que começa pelo tactear do teu corpo-Volúpia, da tua mente-Luxúria, pelo saborear do teu doce-salgado suor que brota de cada poro da tua pele fervilhante, que te aproxima e afasta da explosão, que te penetra-Ternura, transcende e condescende, no cumprimento e incumprimento sequencial do teu desejo-ordem-súplica, na posse de ti até que a lava brota das tuas entranhas num trovão ensurdecedor, no raio que atravessa a escuridão do céu de lua-nova e da noite faz dia, no estertor do teu corpo que do Inverno faz Verão, um combóio atravessa o deserto, no teu pedido de clemência ao qual sou surdo, no teu grito para parar que não me refreia os movimentos apenas os desacelerando por instantes, no retomar do frenético, no patamar sinusoidal do teu orgasmo imparável porque simplesmente não deixo que se desvaneça até que te desfaças e refaças a cada momento, descendente, ascendente, descendente, ascendente retomo, renasço dentro de ti alago-te, alagas-me, cumpro o desígnio milenar da consubstanciação da mistura num orgasmo que se reconfigura embrionicamente num futuro desejado-ansiado-prometido, recíproco, não-concluído, tomado-retomado, quando lá longe no espaço infinito nasce uma nova estrela quando invariavelmente a meiose se converte em mitose e se cumpre o milagre da recombinação e do crossing-over numa recombinação policiada por uma polimerase atenta-distraída, numa replicação eterna e monótona de cinco-linha para três-linha porque é sempre de cinco-linha para três-linha, subjacente à formação do novo, novo teu-meu, amor louco reafirmado no teu útero, renascimento de ti e de mim.
A tal ponto te amo que dou por mim num rodopio vertiginoso e chego a perder-me com a ilusão de que uma janela se abriu na pétala demasiado opaca ou demasiado transparente da loucura, que me encontro aqui sozinho, debaixo desta árvore qual Newton à espera da maçã e que, a um sinal, o qual, por maravilha, tarda em aparecer. Irei juntar-me a ti no seio da flor fascinante e fatal.
A suficiência total que reina entre dois seres que se amam deixa de enfrentar, neste momento, o mínimo obstáculo que seja.
Por seres única, nunca poderás deixar de ser, para mim, uma outra, uma outra que és tu mesma. Amada, amante, minha, teu, em nós reconstruídos.
Desconstruo-te e reconstruo-te a cada instante. Desconstróis-me e reconstróis-me a cada momento na edificação do novo, nem tu nem eu, mas um tu-eu, salto qualitativo, giant leap.
Se, desta apaixonante paisagem que um dia destes será arrastada pela maré, nada mais, além de ti, conseguir subtrair às fantasmagorias da verde floresta densa de carvalhos inebriantes, ao menos hei-de saber reproduzir esta música sobreposta aos nossos passos que ritma o arquear das tuas ancas e ilumina o arfar dos teus orgasmos em que mil elos visíveis e indivisíveis, na profunda noite do esquecimento calharam ligar ao meu o teu sistema nervoso, agora um só, coordenado porque eu já não sou eu e tu já não és tu, porque passámos a ser nós num único ser que é a nossa própria reconfiguração-reconstrução.
Reinventar-te. Hei-de reinventar-te para mim mesmo, pelo desejo que tenho de ver perpetuamente recriadas a poesia e a vida, vida nova, nascente, criadora-criada. Também tu me reinventarás. Reinventa-me! Nós!
Just because I love you, baby, how I love you, darling, how I love you, baby, how I love you, girl, little girl. But baby, Since I've been loving you I'm about to lose my worried mind!




 

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