Lembras-te? Foi há tanto tempo.
Tinhas acabado de te separar, uma separação violenta.
Entre nós a relação era ténue.
Praticamente nunca tinhamos
falado, mas tinha havido umas trocas de mails, esses mais frenéticos carregados
de erotismo.
Mas quando nos encontrávamos
nunca falávamos disso.
Nessas alturas eram
simplesmente umas trocas cúmpices de olhos que me faziam tesão, mas pouco mais
que umas trocas de olhos.
Mas, nesses olhares e nas
poucas palavras que trocámos, sentia que havia qualquer coisa. Pelo menos
estava escarrapachada nos mails.
Os olhos brilhavam mais do que
o normal. As pupilas dilatavam mais do que seria de esperar. Às vezes sentia-me
arrepiado e sentia que tu também sentias qualquer coisa. Estas coisas são
difíceis de esconder.
Naquele dia surpreendes-te-me
quando vieste falar comigo e disseste: “agora vivo sozinha e às vezes tenho
medo. Fica com uma chave do meu apartamento”. Assim, sem mais, partiste e eu
guardei a chave sem nada te responder.
Fiquei nervoso.
O que querias? Era uma
proposta? Um convite? Ou não seria nada disso, apenas protecção?
Nessa noite não consegui
dormir.
Pelas quatro da manhã,
decidido, saí de casa. Quase autómato, dirigi-me aonde me tinhas dito que moravas.
Subi, abri silenciosamente a porta e, pé ante-pé, como um assaltante, percorri
a casa que não conhecia.
Dormias enroscadinha num quarto
fracamente iluminado pela luz de um candeeiro de rua que entrava pela janela
aberta. Fiquei a olhar para ti.
Não sabia muito bem o que
fazer. O teu sono parecia pesado.
Quase automaticamente, sem
pensar, despi-me, deitei-me por trás de ti, abracei-te as costas, encaixei-me
em ti e tu não te mexeste. Por trás encaixei as minhas mãos nas tuas mamas como
se de um soutien se tratasse... e continuavas a dormir no quarto quase escuro.
Eu fiquei muito quietinho para não te acordar.
A certa altura, em silêncio,
viraste para mim e sinto o teu abraço forte. Apertei-te nos meus braços.
Sinto os teus lábios aflorarem
os meus, sinto a tua língua vasculhar-me a boca, mas mantenho-me imóvel.
Parece-me que o que fazes é ainda durante o sono. Parece-me que ainda dormes.
Não sei há quanto tempo estou
entre o sono e o sonho. Agora sinto a tua respiração suave na curva do meu
pescoço. Não quero acordar-te. Eternizo a tua intimidade. Permaneço estátua. De
repente respiras palavras proibidas ao meu ouvido. Quero que te enrosques na
noite, que partilhes, que te percas nos meus sonhos! Quero que com os teus
lábios percorras os meus segredos e que te percas no orvalho da madrugada. Não
tenhas medo! Guiar-te-ão as palavras. Enrosco-me na noite, partilho-me,
percorro os teus segredos e perco-me nos teus sonhos. Oiço-te e falo-te tanto
no meu silêncio. Dou por mim a falar contigo. Serenamente, docemente. Sei que
há uma troca de correspondência que nos leva a uma intimidade muito mais
profunda do que qualquer relação física. E no entanto ela apenas se realiza
através de palavras.
Não quero falar, interromper o teu sono ou não-sono. Não te vou falar dos marinheiros que deambulam pelos portos de Amsterdão porque as histórias desses não sei contar. Então, bom, então enrosco-me na noite, partilho, levo-te a perderes-te nos meus sonhos. Mas o que me apetece, realmente, é com murmúrios percorrer os teus segredos. Penso “ um dia destes falo-te-ei do cheiro das amoras bravas no Verão, da terra molhada e das folhas dos carvalhos no Outono, mas tenho outra coisa boa para te dizer, acariciar a pele de um pêssego madurinho, na praia, ao sol, sentir-lhe o cheiro, trincá-lo e deixar o sumo escorrer pelos lábios... é bom, não é?
Não sei se estou acordado. Sinto as tuas pestanas no meu pescoço, amor. O teu braço sobre o meu peito. É tão bom!
Sinto que, no meio do sono a tua mão se mexe entre as tuas coxas. Isso faz-me tesão. Estou quieto. Imóvel. No meio do teu sono a tua mão acaricia-te o espaço entre as tuas coxas que quero meu e cujo cheiro encharcado me começa a invadir e a aumentar a tesão. Num suave movimento de vai-e-vem sinto a tua mão, roçar pelo meu corpo enquanto te percorre a ti própria. Continuo estátua. Sinto-me cada vez mais duro enquanto te acaricias. Sinto o teu beijo no meu pescoço durante o sono. Sinto a tua respiração acelerar. Sinto os teus gemidos. Continuas a acariciar-te. Não sei se dormes ou não. Eu perco-me de tesão. Não sei se durmo ou não.
No meio do sono, dos teus gemidos e da tua respiração que se torna ofegante, viro o teu corpo, cuidadosamente para não te acordar, para não perturbar o teu sonho de prazer, viro-te de ventre para cima.
Agora estás a meu lado, pernas afastadas, joelhos erguidos, e a tua mão acaricia-te. Não sei se dormes, não sei se durmo.
Muito devagarinho, não te quero acordar, amor, ajoelho-me entre as tuas pernas, apoio as minhas mãos ao lado dos teus ombros. Continuas a acariciar-te num vai-e-vem cada vez mais frenético. Suavemente enterro-me dentro de ti encharcada dando espaço à tua mão para continuar o seu trabalho. Estou dentro de ti, apoiado nos braços, enquanto te acaricias. Estou imóvel, em silêncio, dando-te espaço, procurando não te pesar. Dentro de ti sinto-me apertado pelo latejar ritmado da tua vagina. Inicio um vai-e-vem suave. Paro. Continuo. Paro. Continuo. Paro. Sinto que dentro de ti se aproxima uma explosão. Está cada vez mais perto. Os movimentos dos teus dedos entre as tuas pernas começam a tornar-se frenéticos. Os teus gemidos elevam-se no ar. Eu mantenho-me imóvel dentro de ti. Sinto-me apertado pelas contracções ritmadas da tua vagina acariciada pelas tuas próprias mãos. Agora vens-te. Vens-te. Vens-te prolongadamente enquantocontinuas a acariciar-te. Segredo-te baixinho, “vem-te amor, vem-te para mim, vem-te”. Sinto, enquanto te vens, golfadas de líquido, golfadas de amor que saiem de mim e te enchem o corpo. O teu corpo treme. Os meus braços já não aguentam o peso do corpo. Deixo-me cair sobre ti. Envolves-me com os teus braços, envolves-me num longo beijo. Em silêncio. Não sei se dormimos ou se estamos acordados. Amo-te. Amo-te tanto.
Não quero falar, interromper o teu sono ou não-sono. Não te vou falar dos marinheiros que deambulam pelos portos de Amsterdão porque as histórias desses não sei contar. Então, bom, então enrosco-me na noite, partilho, levo-te a perderes-te nos meus sonhos. Mas o que me apetece, realmente, é com murmúrios percorrer os teus segredos. Penso “ um dia destes falo-te-ei do cheiro das amoras bravas no Verão, da terra molhada e das folhas dos carvalhos no Outono, mas tenho outra coisa boa para te dizer, acariciar a pele de um pêssego madurinho, na praia, ao sol, sentir-lhe o cheiro, trincá-lo e deixar o sumo escorrer pelos lábios... é bom, não é?
Não sei se estou acordado. Sinto as tuas pestanas no meu pescoço, amor. O teu braço sobre o meu peito. É tão bom!
Sinto que, no meio do sono a tua mão se mexe entre as tuas coxas. Isso faz-me tesão. Estou quieto. Imóvel. No meio do teu sono a tua mão acaricia-te o espaço entre as tuas coxas que quero meu e cujo cheiro encharcado me começa a invadir e a aumentar a tesão. Num suave movimento de vai-e-vem sinto a tua mão, roçar pelo meu corpo enquanto te percorre a ti própria. Continuo estátua. Sinto-me cada vez mais duro enquanto te acaricias. Sinto o teu beijo no meu pescoço durante o sono. Sinto a tua respiração acelerar. Sinto os teus gemidos. Continuas a acariciar-te. Não sei se dormes ou não. Eu perco-me de tesão. Não sei se durmo ou não.
No meio do sono, dos teus gemidos e da tua respiração que se torna ofegante, viro o teu corpo, cuidadosamente para não te acordar, para não perturbar o teu sonho de prazer, viro-te de ventre para cima.
Agora estás a meu lado, pernas afastadas, joelhos erguidos, e a tua mão acaricia-te. Não sei se dormes, não sei se durmo.
Muito devagarinho, não te quero acordar, amor, ajoelho-me entre as tuas pernas, apoio as minhas mãos ao lado dos teus ombros. Continuas a acariciar-te num vai-e-vem cada vez mais frenético. Suavemente enterro-me dentro de ti encharcada dando espaço à tua mão para continuar o seu trabalho. Estou dentro de ti, apoiado nos braços, enquanto te acaricias. Estou imóvel, em silêncio, dando-te espaço, procurando não te pesar. Dentro de ti sinto-me apertado pelo latejar ritmado da tua vagina. Inicio um vai-e-vem suave. Paro. Continuo. Paro. Continuo. Paro. Sinto que dentro de ti se aproxima uma explosão. Está cada vez mais perto. Os movimentos dos teus dedos entre as tuas pernas começam a tornar-se frenéticos. Os teus gemidos elevam-se no ar. Eu mantenho-me imóvel dentro de ti. Sinto-me apertado pelas contracções ritmadas da tua vagina acariciada pelas tuas próprias mãos. Agora vens-te. Vens-te. Vens-te prolongadamente enquantocontinuas a acariciar-te. Segredo-te baixinho, “vem-te amor, vem-te para mim, vem-te”. Sinto, enquanto te vens, golfadas de líquido, golfadas de amor que saiem de mim e te enchem o corpo. O teu corpo treme. Os meus braços já não aguentam o peso do corpo. Deixo-me cair sobre ti. Envolves-me com os teus braços, envolves-me num longo beijo. Em silêncio. Não sei se dormimos ou se estamos acordados. Amo-te. Amo-te tanto.


2 comentários:
Silêncios que valem mais que mil palavras. Só entendidos por quem os vive.
Beijinho
Obrigado, Gira!
Silêncios que são memórias.
Umas vezes saudades de passados, outras vezes memórias de futuros.
Já nem sei.
Beijo em ti!
Cum to Me
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